Arame farpado,
Aprisionado ao corpo leito que de mim já não é
cravando fundo sua cifra,
Ferro em brasa,
Gotas de saliva destiladas do erotismo
Que transpiras...
Transpiro,
Ofego e retenho
Num só suspiro,
Violência anímica de quem pela existência...
Goza e passa.
Transtornando amiúde as palavras,
Ladainhas e murmúrios
Exalando do interno da cela,
Contínuo.
Do externo...
O relinchar,
Único.
Agora...
Adule com as mãos calejadas
O que sobra de mim,
Adule com a pele áspera
O que sobra em mim,
Com as esporas de cravos armados
Exerça o anseio latente que o corpo não nega
Imploro, me sujeito
O rubro que goteja sem mais demoras.
-Quem se humilha não estará humilhado
E ainda, se humilhado for,
Guarde o acúmulo,
Para o final.
Não é potro viço quem suplica,
Quem suplica é a mulher do sapateiro
Que foi pra guerra e não mais voltou
Medíocre, se quer amputado.
Quão caridoso teu sexo,
Quão caridosa tua lúgubre vontade
De quem não ama
Domina, exerce...
Enxovalha.
Arranque a venda encouraçada dos meus olhos,
Deixe que minha fronte conheça o som
Do que choca ao chão,
Hematomas guardarão ainda, por tempo determinado,
O que é teu
E que ainda ficará...
Pouco,
E é tanto.
Por baixo da unha,
Cravo afiado.
Quebremos o breu,
Se esconder?
Nem sempre,
A claridade em hora destas,
Viola tantas vezes mais
Que os escabrosos ruídos nus de machadadas cruas.
Arranque uma de minhas córneas
Para que possamos nos ver de cima,
Quebre o espelho para que possamos nos deitar.
Depois...
Não transtornarás palavras,
Nem ladainhas, nem murmúrios.
Quando lhe der as costas
Nada mais sairá da cela.
De fora o relinchar
Esvair-se-á em trote largo,
De dentro, o rubro banhará as quatro paredes,
Teto,
Assoalho.
Com o sêmen do cavalo que galopa
Embrenhado na mata densa,
Regarei o que é nosso,
E que não mostraremos a ninguém.
No corredor, os passos...
Passos largos.
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário