terça-feira, 17 de novembro de 2009

Singelo Poema de Amor

Amei de forma medonha,
De forma desesperada aquele corpo...
Aquele esqueleto com carne e pele branca impregnada
Um cérebro incomum (sorvete de creme as quinze horas, trinta e cinco graus),
Olhos tão vivos de pupilas sempre tão dilatadas.

Amei aquelas idéias
Mentiras viscosas
Num corpo tão magro,
Sexo tão rijo
Nunca descoberto.
Naquele corpo, veias salientes
Faziam estradas, encruzilhadas visíveis rumo...
Não sei onde...
Não me importa onde.
Virilidade latente
Feminilidade de gestos contraditórios
(nada mais delicado que nariz gotejando sangue).

E uns poucos vagabundos, pseudo-intelectuais
Contradizem o amor!
Como não amar aquele corpo tão meu?
Como não beijar com agonia moribunda
Aquela boca tão seca, amarga, macia?
(As maçãs são vermelhas e doces)
Como não lambuzar-me com total luxúria Sadiana
Daquele sexo pueril.
(Crianças, não cresçam!)
Homens de esqueleto, carne, pele branca,
Cérebro, olhos, idéias e sexo pueril...
Bem branco e pueril.

Não contradigam o amor,
Ainda que dele nada mais sobre
Que a crua distância,
Caluniosa falta de verdade.
Não contradigam... Façam de tudo,
Menos contradigam.

Quero descer pelo jazigo frio
Ser comido pelos vermes famintos,
Ser transformado em lama, lodo... Pó, muito pó!
Quero descer ao túmulo em noite escura
Abandonem meu fardo na escuridão
Para banhar-se na luz da manhã.
(pedido honesto para familiares, inimigos e até mesmo desconhecidos).

Que esse amor medonho parta sempre sem aceno.
Sempre nas primeiras horas...
Nas horas em que durmo.

Serei sempre o gênio de idéias roubadas
O pedófilo de adultos pueris
Amarei...
Com lama, lodo e pó...
Muito pó.

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