Fiz sete curvas de olhos cerrados
Fingindo abrir três janelas
Notando tudo empoeirado, daquele tipo de poeira preguiçosa
(impregna e mata)
-Oh, Pobre homem que perdeu o coração,
Pobre homem que depende da infelicidade alheia para sentir-se vivo
Do que perguntei, coisa nenhuma contou novidade...
Nem os livros no chão, tão pouco os fragmentos de tantos mundos
Tudo com peculiar perfume de ontem
Cheiro do fantasma de quem não morreu.
Fiz sete curvas de olhos cerrados
(fora do aquário nada sorria)
As lágrimas confundiam-se com as águas
Do mar de Copacabana
(In The Aeroplane Over The Sea)
E tudo era agonizante
A quebra do mar na praia
O seu ruído...
Eu a areia na garganta
(também nos olhos)
Eu a mercadoria e o preço
Eu onipresente.
-Feliz de quem se quita
Nada deve.
Fiz sete curvas de olhos cerrados
Em pleno planalto
A morte sorriu para a vida
E a vida furiosa
Varreu todas as largas e molhadas avenidas
Grandes monumentos da corrupção
Varreu os cafés e pêlos pairando soltos no ar
Refez as curvas
E o sangue pulsou violento por ela própria,
Vida.
Refiz sete curvas de olhos turvos
E tudo restaura
Sem plano piloto, no piloto automático
Com a saúde de quem pode chorar
E até mesmo se arrepender
Se embaralhar nas dúvidas da própria alma intocável
Fazer sol e lua das emoções
Eis, a “inocência e bondade de coração”!
O não é tragicamente mais belo que o sim.
sábado, 14 de novembro de 2009
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