sábado, 28 de abril de 2012

Monstro de Loch Ness

Não diga que não tentei mudar seu mundo

Por outro lado, como poderia?

Se não sei trocar minha própria cueca

eu tinha planejado um caminho para nós

Por outro lado, nunca fui bom em exatas

Você não sabia disso, não é?


Agora levante seu traseiro arrogante

do meu sofá, conseguiu cansar minha mente

com seu silêncio medíocre

Abra a porta que tranquei pensando em nós

não vai encontrar mais pedaços do meu coração.


Você se lembra,

Eu subi no palco por você

Ouvi conselhos de cazuza por você

Por você, ressuscitei neurônios mortos

Poderia até ter ficado doente na chuva fria...

Por você!


É tempo de voltar para seu exílio, monstro

Vou continuar vivendo

Não desperdiço, ainda, o resto de juventude

Com lendas submarinas

Não vou mais falar de rainhas destronadas

...Tenho livros na estante.


Volte para o lago estranho de onde te tirei

Não congelei seu coração

Não sou eu quem vai conseguir aquecê-lo

Volte para as trivialidades

Seus vultos humanos virtuais

Sou feito de carne e ela sangra.


minha cabeça dói tanto

Você não disse em nenhum momento

Para que veio

Nem se quer sabe quando a febre começou

Agora, a luz se apaga

Isso não é nada erótico, não é mesmo?


Volte seguindo suas pegadas jurássicas

Tão bem fixadas

Isso você fez tão bem

Como viver uma lenda

Pelo menos...

Desvendei o mistério do Monstro de Loch Ness.


sábado, 31 de março de 2012

Olhos Pretos

Lave a boca antes de confessar seus pecados. Conte até três e respire. Você sabia o tempo todo, (Quanto lixo transbordando pelas laterais da cama de lençóis brancos, toalhas empacotadas) Pingava mel de seus lábios feridos, Pendurava a lua no céu com suas mãos sujas de pó, Como bússola para seu coraçãozinho partido Quebradinho em pedaços infames. Se um batalhão batesse em minha porta Enquanto falávamos sobre o que não se fala, Nunca te delataria como o vil amigo, Eram pretos teus olhos e açucarados teus sonhos esdrúxulos... Ah, e como eu comia deles, como me fartava Mastigando frases feitas, mentiras sacras. Lavem as bocas antes de confessarem seus pecados. Degustávamos furadan em taças de cristal barato Com champanhe, igualmente barato, brindávamos um espaço preenchido com estrume emocional, entorpecido, emocional. Estive de pé sem deixar meus joelhos se cansarem Enquanto minha mente era roída por seus vermes psicológicos. Agora está pelado, nu, como um baitola saqueado com dedos Por um caminhoneiro velho e imundo, num escurinho qualquer. Oras! Deveríamos ter tirado nossa roupa juntos, Deveríamos ter maculado a capela de santos segredos, deveríamos ter ido a bordeis com os corpos a venda, deveríamos ter nos deitado com os sentimentos profanos Para agora sermos algo, algo apenas, apenas que se explique. Tentei te prender, te aprisionar para que não se lavasse, Te quis sujo para que aos meus olhos estivesse limpo e são. A chuva cai enlouquecida, berrando a desordem! O barro preto da verdade escorreu por seus cabelos, também pretos, cartões telefônicos, seu nariz, casas vazias, misturou-se o barro preto ao mel de sua boca, inundou a cama que dormia, estragou a comida que se alimentava, desfez as cartas e todas as promessas, deslizou por entre suas pernas, ainda belas, e encharcou suas notas de mil réis pelo chão, Senti pena e amargura quando nelas escorregou, tentando apoiar-se na parede também escorregadia, batendo abestalhado com a cabeça. Pena. Ainda está sendo um tombo patético, não? Não tente conter o peso que não suporta, anjo! A noite é muito pesada para os ingratos e mentirosos, Ontem, anjo, você deixou cair uma noite por todas as outras noites Olho por olho Dente por dente... Você esta feio, anjo, limpe o nariz, cole suas asas Com super bonder e tente voar, mas cuidado com a altura do precipício. Ainda está sendo um tombo patético, não? Não confessarei mais meus pecados antes de lavar a boca. “Nosso” vomito é sua hóstia.