Não diga que não tentei mudar seu mundo
Por outro lado, como poderia?
Se não sei trocar minha própria cueca
eu tinha planejado um caminho para nós
Por outro lado, nunca fui bom em exatas
Você não sabia disso, não é?
Agora levante seu traseiro arrogante
do meu sofá, conseguiu cansar minha mente
com seu silêncio medíocre
Abra a porta que tranquei pensando em nós
não vai encontrar mais pedaços do meu coração.
Você se lembra,
Eu subi no palco por você
Ouvi conselhos de cazuza por você
Por você, ressuscitei neurônios mortos
Poderia até ter ficado doente na chuva fria...
Por você!
É tempo de voltar para seu exílio, monstro
Vou continuar vivendo
Não desperdiço, ainda, o resto de juventude
Com lendas submarinas
Não vou mais falar de rainhas destronadas
...Tenho livros na estante.
Volte para o lago estranho de onde te tirei
Não congelei seu coração
Não sou eu quem vai conseguir aquecê-lo
Volte para as trivialidades
Seus vultos humanos virtuais
Sou feito de carne e ela sangra.
minha cabeça dói tanto
Você não disse em nenhum momento
Para que veio
Nem se quer sabe quando a febre começou
Agora, a luz se apaga
Isso não é nada erótico, não é mesmo?
Volte seguindo suas pegadas jurássicas
Tão bem fixadas
Isso você fez tão bem
Como viver uma lenda
Pelo menos...
Desvendei o mistério do Monstro de Loch Ness.
sábado, 28 de abril de 2012
sábado, 31 de março de 2012
Olhos Pretos
Lave a boca antes de confessar seus pecados.
Conte até três e respire.
Você sabia o tempo todo,
(Quanto lixo transbordando pelas laterais
da cama de lençóis brancos, toalhas empacotadas)
Pingava mel de seus lábios feridos,
Pendurava a lua no céu com suas mãos sujas de pó,
Como bússola para seu coraçãozinho partido
Quebradinho em pedaços infames.
Se um batalhão batesse em minha porta
Enquanto falávamos sobre o que não se fala,
Nunca te delataria como o vil amigo,
Eram pretos teus olhos
e açucarados teus sonhos esdrúxulos...
Ah, e como eu comia deles, como me fartava
Mastigando frases feitas, mentiras sacras.
Lavem as bocas antes de confessarem seus pecados.
Degustávamos furadan em taças de cristal barato
Com champanhe, igualmente barato, brindávamos um espaço preenchido com estrume emocional, entorpecido, emocional.
Estive de pé sem deixar meus joelhos se cansarem
Enquanto minha mente era roída por seus vermes psicológicos.
Agora está pelado, nu, como um baitola saqueado com dedos
Por um caminhoneiro velho e imundo, num escurinho qualquer.
Oras! Deveríamos ter tirado nossa roupa juntos,
Deveríamos ter maculado a capela de santos segredos,
deveríamos ter ido a bordeis com os corpos a venda,
deveríamos ter nos deitado com os sentimentos profanos
Para agora sermos algo, algo apenas, apenas que se explique.
Tentei te prender, te aprisionar para que não se lavasse,
Te quis sujo para que aos meus olhos estivesse limpo e são.
A chuva cai enlouquecida, berrando a desordem!
O barro preto da verdade escorreu por seus cabelos, também pretos, cartões telefônicos, seu nariz, casas vazias, misturou-se o barro preto ao mel de sua boca, inundou a cama que dormia, estragou a comida que se alimentava, desfez as cartas e todas as promessas, deslizou por entre suas pernas, ainda belas, e encharcou suas notas de mil réis pelo chão,
Senti pena e amargura quando nelas escorregou, tentando apoiar-se na parede também escorregadia, batendo abestalhado com a cabeça.
Pena.
Ainda está sendo um tombo patético, não?
Não tente conter o peso que não suporta, anjo!
A noite é muito pesada para os ingratos e mentirosos,
Ontem, anjo, você deixou cair uma noite por todas as outras noites
Olho por olho
Dente por dente...
Você esta feio, anjo, limpe o nariz, cole suas asas
Com super bonder e tente voar, mas cuidado com a altura do precipício.
Ainda está sendo um tombo patético, não?
Não confessarei mais meus pecados antes de lavar a boca.
“Nosso” vomito é sua hóstia.
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