“O homem criado do pó ao pó voltará"
A musa, deixando de ser orgânico,
Abandonando a estética de existir,
Estendida em lençóis de cetim.
Os móveis da sala
Empoeiram-se...
A cortina branca, suspensa por ti,
Oscila ao vento que escapa da fresta
De uma janela, ali.
Os penduricalhos no mancebo,
E todo o resto
Estará lacrado em
Caixas para viagem...
Viagem fora dos planos,
De profundo silêncio.
Enquanto a bailarina triste rodopia
Na memória parca,
No céu, entre as estrelas,
Cantará para os astros mágicos
A primeira canção.
E entre os edifícios,
Aqui, sob as nuvens baixas,
O sopro vazio da ausência
Discursará em prosa
Na boemia nossa
De cada noite
(Para seu rebanho, noite para sempre)
Até que termine
A primeira canção
Entre os astros...
Sutil bailarina,
Sutil cantante,
Não ouviremos os aplausos
Para ti.
Pálida e gélida rosa,
Pela eternidade, cante e rodopie.
A diabética semente
Estará semeada ao chão
E brotará na memória
Dos que aqui ainda assentam-se
E conformam-se.
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
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