Já se passaram alguns dias e eu ainda estou na cama, quando o sol se põe me odeio por não agüentar mais dormir, dormir poderia ser simples, mas lhes garanto, não é.
Me agito entre os lençóis e ligo a TV, naqueles filmes redentores que dão certa razão aos fatos e que não lembro o nome no dia seguinte, os tais remédios, perda de memória recente também é comigo mesmo. Mais algum tempo, estralo o pescoço e no máximo alcanço a internet e tento me animar em outras vidas, notar como tudo é amplo lá fora, e tão estreito aqui dentro, dentro da minha cabeça, e penso também em como parecemos mais bonitos nas fotos de hoje em dia (já parei para me maravilhar com os avanços tecnológicos, avião no ar, celular).
Passa o tempo, que horas são? Perdi o hábito de olhar no relógio, e ninguém vem me tirar da cama, me dar uma vidinha nova, vida nova como imagino quando vem a euforia... E os tais pensamentos e as vozes... Escondo-me com o travesseiro e aquele medo de criança quando entra uma bruxa (é, uma bruxa, aquelas borboletas enormes e pretas e muito feias que entram e ficam na parede, quietinhas, podendo bater suas asas a qualquer momento, morro de medo daquilo!) dentro de casa.
E os tais pensamentos e as vozes...
-Você é tão vazio, garoto, tão previsível e só me atrapalha, não diz nada além do que quero ouvir e meus dias vão indo comendo as noites e as noites vomitando os dias, dia após dia, seu cavalo branco me incomoda rangendo os dentes e as anfetaminas misturadas com tudo o que sobrou no velho silo, você me incomoda tanto.
-É Papai, está certo, tranque mesmo suas portas, janelas, cadeados e também as gavetas do armário, e esconda as chaves onde eu não as encontre mais, pois estou perdido, ouviu? Escuta, logo outro caixão pela aquela porta, sim Senhor, outra despedida, que pena, não? E tudo ficará assim, como deveria, como o Senhor tanto deseja, sei que é inconsciente, papai! Não lhe culpo de forma alguma, sem falar que quem gosta de produto falsificado, “adultera”do... Não! Tudo original, de primeira qualidade é o que queremos! Yes! E fico realmente sensibilizado com pessoas tão boas quanto o Senhor, por pessoas assim, meu coração dói mais que minhas costas nessa cama-cadeia!
Como diz um conhecido, “vou bem te contar” que eu só queria mesmo um garfo desses bem granfinos, são mais afiados, fincado sem nenhuma dó na palma da minha mão esquerda por algum motivo que fosse meu (a violência me excita tanto, hum...), nunca fui motivo algum se quer arredei o pé de mim mesmo, minha cama hoje é só outro Agora, e repito em bom português: -Não culpo ninguém, relax!
Vamos fazer com que as ovelhas corram enlouquecidas em círculo no pasto como meu espírito na minha pele, pois de mim é o que sobra, pele nos ossos e vaga lembrança.
Pressão, depressão pós-parto.
Toda a vida virou pó (escama de peixe) e é triste ver tudo isso de cima do colchão, “ainda podendo andar sem a mínima vontade de rastejar”.
Não volto para lugar algum, afinal, nunca sai do curral de onde no alto, via o riacho e as ovelhas que corriam enlouquecidas em círculos.
Odeio os grilos, como também odeio a poeira... Rinite e cadeiras de rodas.
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
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