Na solidão,
Ensaiando a solidão;
Aglutinando os sonhos
Do parceiro que deixa de ser,
Que tomba ao lado...
Morto...
Vencido...
Sem adeus e sem cirandas.
Olho por baixo da sombra da antiga varanda de planos infalíveis
E vejo o triste aceno meu.
Anseios secretos são postos ao cocho cotidianamente
E pessoas hilárias e incríveis os devoram
E desaparecem...
Restando aquela farinha, farinhazinha de ecos vazios,
O santo sudário dos melhores amigos.
No centro-eixo da válvula que liquefaz a vida,
(Sentado sobre os calcanhares)
Indagando exaustivamente:
-Onde deixaram os restos mortais dos meus...
Meus sentimentos...
Anseios...
Meus comparsas?
Onde estarão às almas varridas dos que dão as costas?
Quantos ecos ainda zumbirão freneticamente,
Retoricamente
Nos ouvidos, em noites destas?
Vezes quantas asseverarei amor,
De varejo o preço?
Quantas vezes asseverarei?
Perguntas
Perguntas
Perguntas
Sem perguntas.
Asseverações são palavras (sem esquecer dos atos) ao vento,
Moedas de pouco valor... De valor algum.
Ainda trocar os bons grãos,
Até que não aja mais o que plantar?
-Calai,
Sem perguntas!
Na nossa viciosa vampirização intelectual e fraterna
Jogamos constantes pérolas aos porcos,
Enchemos-lhes a pança com o mais seleto vocábulo
E só percebemos quanto perdemos
(e tempo é dinheiro)
Quando costas são dadas
E são dadas nossas próprias costas.
Quando sentimos o fino fio da morte que se aproxima
(nuvem pálida de algodão doce),
No automático ensaiamos a solidão,
E estamos morrendo desde que nascemos.
-Sim, meus amigos,
A vida é uma engrenagem de carnificina
E pessoas dizendo “até mais”.
Estamos todos partindo para algum lugar,
Dando as costas magoadas
E enxugando lágrimas substituíveis.
Todo aceno não dado
É respondido do outro lado do globo
Sem que vejamos...
Estamos sozinhos em linhas cruzadas.
Os desconhecidos ainda serão
Nossas únicas e verdadeiras companhias.
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
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