sexta-feira, 1 de abril de 2011

O Departamento da Esperança

Do alto pedestal miro de olhos lânguidos o túnel
Nevoado com suave calmaria
Brisa azul, bem azul de sabão em pó, que se comprava antigamente,
E os ratos com carrancas humanas passam por ele
Num vai e vem quase metropolitano no horário das dezoito horas,
Esses ratos com distorções humanas
Levar-me-ão como santo,
Em dias de romaria de cidade do interior,
Até a porta principal
Ornada com flores de lobeira e juá.

-Ratos com suas carantonhas
E cheiro de esperança, donos de certezas submissas,
(Meus lábios sorriem)
Leve-me em corpo, matéria...
É o mínimo que podem fazer depois que
Mantive a calma dos monges
O tormento dos mentirosos,
Mantive a desventura da prostituta católica
E fracasso do garanhão imaculado,
Mantive profunda mágoa dos pensamentos sempre férteis e pouco aproveitados,
Solidão, fome, dias passando arrastados,
Mantive...

Observe, olhe o quanto estou no alto,
Perceba a virtude da escolha
Que não serão capazes de possuir,
(Meus olhos se emocionam)
Vejam quão nobre é o vinho
Oferecido por aquele que na purificação encontrou a escolha,
Esse que por vontade própria
Ou circunstância foi relegado
De suas ambições herdando um bem maior,
Não se pode simplesmente viver.

Não é fraqueza, covardia...
(minhas pernas tremem)
Covardes são os ratos de carrancas humanas que vivem em
Comunidade, bebem, progridem, drogam-se,
Gozam e sobem escadas, degrau a meio degrau,
À custa da caridade alheia!

E o que chamarão de fraqueza
(eu tento, não é desespero... agonia... Os pulmões sem ar)
É redenção
É nuvem chumbo livre no céu
É cantar de pardais no raiar do dia insistente
É folguedo de garis no último instante de madrugada
Beijo de não posso ficar!
Beijo de paixão ardente, profunda identificação!

Ás ratazanas surreais do cotidiano:
Não se culpem, nem lamentem,
(já não sou nem sombra, quem dirá dor, sem saliva ou sangue)
Discuta o assunto em rodas silenciosas à boca pequena
Disfarcem o pasmo
Deixem alguns comentários frescos
Para alegrar o dia seguinte.
-Contribuí num ato puramente artístico
Fotografia para as memórias simplistas e
Um tanto quanto patéticas.
Parvovirose mata!

O sangue vermelho, vermelho de cabeça de palito de fósforo Fiat Lux,
Não viram, ninguém viu,
Mas é puro
Pura é a escolha
A escolha dos que dizem adeus
E para os ratos de feições humanas
Que vivem suas vidas em trampolim de
Laboratório
Ergo vibrante brinde!
Levantem as taças senhores!
Enfim...
Túnel fétido de suas vidas...
Os pajens...
A porta principal...
Lobeira e Juá da infância
Alívio
Amanhã?

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