terça-feira, 15 de março de 2011

Das Estações

E as primaveras que estão por vir?
(pensava ele no rubro da mocidade)
Nesse vir o vil pensamento se confunde
E empunha ele a mascara fútil das paixões,
Esperando que guardado esteja o ser amado.
E se olhava o homem mascarado pelos espelhos,
Dois espelhos a refletir-se na confusão da
Originalidade que a juventude roga
Como praga.

E vão ficando os anos
Vão indo as primaveras
E vai ficando o ser amado
Coberto de poeira ao longo do caminho
Como a mala que em uma viagem
Foi deixada e pela poeira
Vai tornando-se cada vez mais pesada.

E vão ficando os anos
Vão indo as primaveras
Como nuvens apresadas no céu.
E chegando enfim os invernos sem fim
Arrancando a máscara e quebrando um,
Apenas um dos dois imponentes espelhos:

-Que imagem de feição cansada
E solitária seria essa, meu Deus?
Espectro triste que olha para
Trás perdido no caminho, sem caminho,
Que tenta correr contra o tempo
E soluça na ânsia de encontrar o ser amado
Ainda guardado na mala perdida.

Oh! Ser amado esqueceste de mim!

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