sábado, 6 de fevereiro de 2010

Peste


Esperei que me aconchegasse ainda
Em teus alvos braços
Mesmo que seus punhos sangrassem,
E se uma pequena gota de teu suor caísse
Banhar-me-ia nela
Ou se teu olhar dirigisse-se a mim...
Voltaríamos juntos para casa...

A peste assola
E não vejo mel em nenhum lábio
Estão todos escondidos de ti
...corrompidos
Contaminados
Teimo, mas e não lhe encontro.

Caminhei nas ruas da miséria
Em cantos escuros e esquecidos
Nas ruas sem asfalto
Encolhendo-me ali sentiria medo,
Exaustão e lágrimas desidratadas...
Não lhe encontro.

Busco noite após noite
Imploro
E não encontro
Corto-me
E não encontro.

Tento me render às paredes
De concreto...
E não me amparas em teus braços
Não me banhas em teu suor
Não olhas mais...
Se esquece.

- Não vêem quão estamos doentes,
Quão somos iguais?

De alma e também alma entregue a peste
Procuro e não me refaço...
Todos arrancando cascas de suas próprias feridas
Com a mesma voracidade que as devoram
Todos...
Todos os meus irmãos.

Teimo... E não lhe encontro.

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